A Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), em parceria com a Prefeitura de Ilhéus e com a Fundação Escola Politécnica, está dando início a uma nova etapa do Projeto de Recuperação e Gestão do Aterro Sanitário do Município, localizado em Itariri, através de um grande projeto piloto de coleta seletiva de resíduos. A proposta foi detalhada na manhã de hoje (4) pela superintendente de Resíduos Sólidos da Conder, Fátima Espinheira, e pelo técnico da Fundação Escola Politécnica, Luis Camargo. Realizada no salão nobre do Palácio Paranaguá, a reunião contou com a presença do prefeito Newton Lima, assessores e secretários municipais, técnicos governamentais e representantes de segmentos civis organizados da cidade.
Além da implantação da coleta seletiva, que num primeiro momento será realizada de forma experimental no Hernani Sá, Alto da Boa Vista e Juerana, o projeto de Recuperação e Gestão do Aterro Sanitário possui ainda como primeira etapa o processo de requalificação e como terceira e derradeira fase a readequação da gestão da Limpeza Pública. Na oportunidade, Luis Camargo explicou que o primeiro passo para a implantação da coleta será conhecer as características do lixo, “que passará por uma análise qualitativa e quantitativa, envolvendo cerca de 470 domicílios e estabelecimentos comerciais, incluindo hotéis e restaurantes”. Segundo ele, com o resultado desse estudo, será possível materializar o projeto, com alternativas definidas para a reciclagem, através de diferentes ações: mobilização, educação ambiental e inserção social de catadores por meio de iniciativas variadas, como, por exemplo, as cooperativas.
Ao defender a importância do projeto, Luis Camargo chamou atenção para o fato de que a coleta seletiva é hoje “um requisito legal para a política nacional de resíduos sólidos, tema que tramita atualmente no Congresso Nacional através do Projeto de Lei 1991/2007”. Entre os benefícios trazidos pela coleta, o técnico destacou a redução do volume de lixo a ser coletado, o aumento da vida útil dos aterros, a criação de uma fonte sustentável de renda para os catadores, a diminuição da quantidade de matéria-prima utilizada pela indústria e o fortalecimento da consciência ambiental do cidadão.
Reportando-se ao mesmo tema, Fátima Espinheira lembrou que a implantação da coleta seletiva é um processo complexo porque não depende apenas do poder público, mas, também, da população. “Em Salvador, por exemplo, a coleta encontra-se presente em alguns bairros, mas, infelizmente, ainda não foi estendida para toda a cidade. Municípios como Curitiba, entretanto, já conseguiram avançar bem mais”. No final do encontro, o representante da Saga Engenharia, responsável pela obra física de recuperação do aterro, Agnaldo Santos, anunciou que o trabalho em Itariri encontra-se na fase de recuperação da drenagem e em algumas outras ações de infra-estrutura.
Agenda – Atualmente, existem 61 famílias que ainda vivem dos resíduos encontrados e retirados do lixo depositado em Itariri. Segundo a Conder, essas famílias, todas previamente cadastradas, vêm sendo favorecidas por uma série de ações que objetivam suas reinserções sociais, a exemplo da inscrição em programas, como o Cras e o Bolsa-Família. A equipe técnica da Conder participará amanhã (5), a partir das 9 horas, de uma nova reunião com o prefeito Newton Lima, secretários e membros do grupo de trabalho. Por volta das 11 horas, acontecerá uma visita de supervisão ao aterro sanitário e, às 15h30min, acompanhamento das ações de caracterização dos resíduos.



